HMA | Restauro Hotel Glória
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Henrique Mindlin Associados Arquitetura e Planejamento | Restauro das fachadas do Hotel Glória

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Henrique Mindlin Associados Arquitetura e Planejamento | Restauro das fachadas do Hotel Glória

1/3

Hotel Glória

Rio de Janeiro/RJ
2009/2010
 
Projeto de Restauro das Fachadas

EQUIPE ARQUITETURA:

 

Henrique Mindlin Associados 

Arquitetura e Planejamento Ltda

Proposta de Intervenção

Toda obra de restauração arquitetônica tem suas especificidades. No caso das fachadas do Hotel Glória, temos uma situação onde não há um problema de conservação, mas sim um desejo de retomar elementos arquitetônicos de sua feição original que foram removidos no decorrer dos anos.

A edificação de estilo eclético com inspiração neoclássica recebeu acréscimos e demolições que são característicos do modernismo. Hoje ela tem um conjunto harmônico e a proposta atual deve manter essa unidade. A reinserção de elementos arquitetônicos presentes no projeto de 1922 pretende resgatar não somente a historicidade do prédio, mas retomar alguns aspectos que foram preteridos com as reformas ocorridas.

Analisando primeiramente a fachada principal, as grandes modificações ocorreram na entrada principal, na parte central do corpo da edificação com a retirada das colunas gigantes e no coroamento.

Quanto à entrada principal, temos hoje uma fisionomia sóbria de colunas quadradas revestidas de mármore Travertino, e sua marquise segue este padrão, sem ornamentação. No projeto original, esta entrada possuía uma alternância nos vãos, com aberturas laterais em arco e uma central reta. Não havia marquise. Acreditamos que o que se pretende com a intervenção atual é a retomada de ritmos e composições espaciais, não apenas uma colagem de elementos decorativos.

Quanto ao corpo central desta fachada, a retirada das colunas gigantes (aquelas que alcançam 2 andares) e o fechamento deste balcão tornaram esta superfície num aparato monobloco. Perdeu-se o ponto de fuga visual que trazia nosso olhar para o centro, que era um elemento vazado e conseqüentemente criava uma leveza ao conjunto monumental desta fachada.

Passando ao coroamento do prédio, que fora acrescido de um andar, que não possui mais um volume revestido em ardósia (que provavelmente recobria os equipamentos de infra estrutura da cobertura) e com a retirada da ornamentação (medalhões, mísulas da cimalha, etc.), temos hoje um fechamento superior simplório desta fachada que não contribui para o equilíbrio formal para esta grande frontada.

A fachada lateral tem uma grande visibilidade do centro da cidade, não à toa o letreiro esta posicionado ali. Quanto ao coroamento e a ornamentação superior, pode-se optar por uma solução semelhante à adotada para a fachada principal. 

Nossa proposta é de avaliar os valores estéticos da arquitetura original eclética e selecionar aqueles que serão enriquecedores para que tenhamos um conjunto com uma unidade, que hoje não tem uma identidade. É equilibrado, mas as reformas que foram feitas priorizaram a funcionalidade.

A idéia é de integrar os acréscimos modernos e necessários para o hotel, com um novo conjunto que retome os elementos decorativos e arquitetônicos de seu estilo original com uma leitura e feitura atual.

A integração estética de uma arquitetura eclética com a moderna exige cuidados para que os volumes não sejam apenas suportes de ornamentos gratuitos.

No início do século passado o eclético foi visto como um pastiche de formas passíveis de serem reproduzidas. Acreditamos, no entanto, que as reformas feitas no hotel de supressão dos elementos do repertório eclético em detrimento da sua restauração, tenham ocorrido prioritariamente por uma questão econômica.

Nossa visão é de que para a integração do estilo eclético com os acréscimos modernos a serem mantidos, algumas peças ecléticas devam ser simplificadas. Isto não é apenas um detalhe, ou uma questão de diminuição de custos. É um partido arquitetônico.

Nossa proposta é de retomar alguns elementos do repertório arquitetônico eclético que contribuirão para uma composição estética mais harmônica para a massa edificada, sem que os detalhes de ornamentação sejam um confronto com os acréscimos modernos, caracterizando assim esta intervenção no seu tempo, onde os confrontos não são os embates, mas diálogos.